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Tarefa para casa não é Ensino Híbrido

Equipe da redação em: 28/07/2021

Nos dias atuais, muitos termos vêm se tornando comuns no meio educacional devido ao momento de pandemia ao qual vivenciamos.

Modelos de ensino baseados no uso de diferentes tecnologias acabaram sendo incorporados ao cotidiano escolar mesmo que de forma fragmentada do contexto social das comunidades ao qual encontram-se localizadas.

Num curto espaço de tempo todos (educadores, pais e alunos) passaram a falar sobre ensino remoto, aulas online, ensino a distância e outros diferentes termos para enfatizar diversos modelos e formas de trabalhar  e compartilhar ou transmitir o conhecimento aos alunos envolvidos no processo de aprendizagem. Essa realidade passou a ser adotada como modalidade de ensino na maioria das escolas brasileiras devido à catástrofe global ocasionada pela pandemia da Covid 19.

À medida em que boa parte da população adulta vem recebendo as doses das vacinas contra a Covid 19, muitas secretarias de educação vem optando pelo retorno às aulas no formato semipresencial ou também conhecido no meio acadêmico como ensino híbrido, embora mutos autores enfatizem que existem muitas diferenças entre essas práticas.

O conceito desta modalidade de ensino já vem sendo objeto de estudo e de práticas pedagógicas há alguns anos, principalmente em escolas de países europeus e notrte americanos.

No Brasil a prática dessa modalidade ainda está em seu início devido a diferentes problemas de gestão que nosso modelo de ensino apresenta.

Diante do cenário de retorno às aulas no formato semipresencial, muitas secretarias estaduais de educação têm apresentado diversas propagandas na mídia expondo que passou a adotar o ensino híbrido como modalidade de ensino e justificam que essa prática é adotada como ofrma de evitar grandes aglomerações no ambiente escolar.

As medidas adotadas pelas secretárias são bastante louváveis diante do cenário de perda de conteúdos de grande parte dos estudantes ao longo do período letivo, principalmente aqueles com menor poder aquisitivo que não possuem equipamentos adequados para acompanhar as aulas no formato online. Não queremos discutir nesta postagem a questão se este era o momento adequado para o retorno às aulas, trataremos disso em outro momento.

Antes de prosseguirmos vejamos como deveria ser o ensino híbrido segundo alguns autores:

Segundo os pesquisadores americanos Charles Graham e Curtis J. Bonk "o ensino híbrido parte da proposta de combinação das aulas presenciais face a face com a instrução assistida por computador." Por sua vez, Michael Horn e Heather Staker compartilham do mesmo conceito ao afirmar que "o ensino híbrido como um programa de educação formal, no qual o aluno aprende em parte por meio on-line – com algum controle do aluno sobre o tempo, lugar, percurso e/ou ritmo da aprendizagem – e em parte em um espaço físico longe de casa". José Moran que é um dos principais pesquisadores brasileiros na área da aplicação da informática na educação sustenta que "a partir da perspectiva tecnológica, ensino híbrido é a combinação das atividades em sala de aula com as digitais, combinando em um mesmo modelo momentos de aprendizagem presenciais e virtuais"

Podemos observar uma convergência entre os conceitos de todos os pesquisadores na qual enfatizam que a aprendizagem deve ocorrer em dois momentos: na sala de aula com tempos, horários e espaços estabelecidos, geralmente pelos programas desenvolvidos por cada instituição de ensino, e em outros (ou vários) espaços diferentes longe da escola na qual cada aluno intermedia e controla o seu tempo e o ritmo de sua aprendizagem. 

Porém é preciso enfatizar o papel de cada instituição de ensino e qual estratégia utilizam para acompanhar o desempenho de cada aluno envolvido no processo de aprendizagem. Precisamos compreender que o ensino híbrido pressupõe que em algum momento cada escola possa intervir de forma positiva junto aos alunos no momento em que estiverem desenvolvendo seus estudos na forma online.

Após termos uma pequena visão sobre os conceitos referentes ao ensino híbrido por parte de alguns autores, vejamos as propostas de algumas secretarias para a implantação do desta modalidade em escolas públicas brasileiras.

A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul adotou o modelo híbrido como forma de trabalhar o processo de ensino e aprendizagem a partir da realidade social de cada uma das instituições de ensino vinculadas. As escolas puderam utilizar o ambiente virtual Google Sala de Aula para trabalhar o ensino remoto para aqueles alunos que possuiam dispositivos comuputacionais com acesso à internet. Outra alternativa foi o envio de material didático em formato de PDF para que os alunos pudessem baixar e reenviar para as escolas, ou ainda oferecer o espaço escolar para que o aluno que não possuiam algum dispositivo (celular, tablet ou computador) pudessem estar realizando as atividades  escolares. Finalmente a secretaria enfatiza que cada escola poderia imprimir as atividades escolares e cada aluno poderia buscar e entregar na prórpia instituição conforme calendário de trabalho da secretaria.

A Secretaria de Educação do Paraná adotou o formato híbrido a partir da divisão das trumas em blocos, com metade assistindo e participando das aulas de forma presencial e a outra metade em algum ambiente fora da escola, geralmente na própria casa. O diferencial para outras secretarias é que a transmissão das aulas remotas foi efetuada a partir de cada sala de aula com a utilização de um notebook e do aplicativo Google Meet. Isto possibilitou a interação entre boa parte dos alunos.Além desses recursos a secretaria também adotos, assim como muitas secretarias, as transmissões das aulas em TV aberta, via YouTube e alguns aplicativos próprios para esta finalidade. Segundo a secretaria isto tem possibilitado uma diminuição considerável nos prejuízos causados pela pandemia na aprendizagem dos alunos.

Em geral, as demais secretarias estaduais seguiram o mesmo modelo, alternando entre plataformas, principalmente Google Sala de Aula, e videoaulas gravadas transmitidas em canais do Youtube.

A partir deste ponto gostaríamos de considerar a matéria publica pela rede de notícias Porvir que, em  25 de fevereiro deste ano, publicou uma excelente reportagem sobre o tema na qual o professor Fernando Trevisani enfatiza que o "ensino híbrido não se trata somente de oferecer aulas presenciais e online e, muito menos, transmissões ao vivo, mesmo que seja de dentro das escolas".

A relação entre ensino híbrido e tecnologia é fundamental, mas esta modalidade não se reduz ao mero uso de recursos tecnológicos. Cada professor necessita compreender que a tecnologia é um recurso para alcançar determandos objetivos dentro de uma metodologia ativa de participação dos alunos de forma personalizada.

Um exemplo simples é o uso de um formulário google para ser trabalhado determinado conteúdo onde o professor terá acesso aos resultados de forma automática e poderá intervir na aprendizagem dos alunos sempre que for necessário de acordo com os resultados apresentados. 

Um professor não pode simplesmente repassar uma tafera ou atividade para os alunos fazerem em casa e considerar que isto já configura o ensino híbrido, muito menos alguma secretaria de educação considerar que cada aluno assistindo um dia uma aula presencial e no outro uma videoaula sem haver conxtualização e relações pedagógicas enre ambas as ações desenvolvidas já estaria configurado um modelo híbrido de ensino.

O que é possível perceber, neste retorno de aulas no formato semipresencial, é que as atividades educativas presenciais não estão sincronizadas com o ensino remoto. Isto ocorre muito provavelmente pela falta de preparo e de condições, físicas e tecnológicas das secretarias estaduais de educação em trabalhar com esta proposta de ensino. 

Em reportagem do portal G1 em 15 de junho deste ano, muitos pais se queijam que os alunos que estudam em casa não conseguem ter apoio da escola para ue professores possam tirar dúvidas e que o ensino presencial acaba não ocorrendo como deveria, seja por falta de professores ou por falta de infraestrutura da maioria das escolas públicas brasileiras.

O ensino híbrido deve ocorrer de forma sistematizada onde os professores acompanham e intervêm no resultado das atividades realizadas pelos alunos de acordo com erros, dúvidas e acertos. Conforme reportagem do G1 os pais reclamam que muitos professores apenas inserem conteúdos e exercícios na plataforma online e cada alunos busca sua alternativa para tirar dúvidas, geralmente recorrendo ao google.

Na prática o que vem ocorrendo é uma desvinculação do ensino online com o presencial, ou melhor dizendo, o online deixou de existir, mesmo com uso de diversas ferramentas pedagógicas.

Professores também se queijam da falta de planejamento de muitas secretarias de educação, onde os conteúdos transmitidos nas vídeoaulas não se adequam ao conteúdo ministrado na sala de aula no formato presencial, ou seja o currículo não é sincornizado entre presencial e online. Também não ocorre a contextualização a partir da realizadade vivenciada em cada comunidade escolar.

Neste cenário podemos perceber três situações distintas: de uma lado os teóricos do ensino híbrido que enfatizam o valor e a comptências, além das metodologias, que devem ser trabalhadas, de outro temos as secretarias que constituíram duas modalidades de ensino, o presencial e o online, ambos sem vínculo entre si e de outro lado os professores que tiveram que absorver todas as situações adversas da falta de condições financeiras e tecnológicas vivenciadas pela maioria dos alunos.

No fim o que percebemos é que cada professor trabalha sua própria metodologia e o o ensino híbrido se transformou numa simples tarefa para casa.

 

Wadson Benfica

Professor e criados do projeto OnlineEscola

Referências consultadas:

https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/em-debate/ensino-hibrido

https://www2.educacao.mg.gov.br/images/documentos/4590-21-r%20-%20Public.%2002-07-21.pdf

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/06/15/alunos-e-responsaveis-reclamam-de-dificuldades-nas-aulas-remotas-e-falta-de-ensino-presencial-em-sistema-hibrido-da-rede-estadual-do-rj.ghtml

https://porvir.org/conceito-e-tecnologia-sao-requisitos-para-o-professor-adotar-o-ensino-hibrido-no-fundamental-1/

https://www.educacao.pr.gov.br/Noticia/Em-formato-hibrido-ano-letivo-de-2021-comeca-dia-18-de-fevereiro