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Professores ensinam e quem educa é a família. Simples assim?

Equipe da redação em: 30/07/2021

O tema desta postagem é bastante sugestivo e conflitante, portanto vamos analisá-lo a partir de dois porntos de vistas que nem sempre se combinam, mas que deveriam se completar. Neste sentido, estou tratando das teórias sobre educação e do processo de ensinar com a realidade vivenciada por muitos educadores (sim eu ainda penso que professor é um educador) espalhados por este imenso país chamado Brasil.

Em 2015 ao participar de uma exposição de relatos de experiências apresentadas por professores das cinco regiões do país na USP em São Paulo, percebi que os projetos eram bem diferenciados envolvendo temas ligados às áreas de tecnologias, porém chamou-me atenção o fato de todos os professores relatarem as mesmas dificuldades para desenvolver as atividades com os alunos e ainda ter que conciliar com uma rotina de trabalho extremamente exaustante devido a uma jornada de três turnos diários. Me senti como se todos aquels professores trabalhassem na mesma escola que eu, apesar de morarmos a milhares de kilômetros de distância.

Muitos profissionais do ensino ainda não possuem uma hora de trabalho pedagógico - HTP - e enfrentam turmas por vezes bastante lotadas, salas quentes e pouca estrutura (laboratórios de ciências e informática, bibliotecas etc) para desenvolver um bom trabalho pedagógico.

Outra situação negativa é o nível de conhecimento por parte dos discentes que não se enquadra com o ano de ensino que participam. Alunos de 6º ano muitas vezes possuem conhecimentos compatívies com colegas do 3º ou 4º ano. 

Os salários são temas constantes nas lutas dos docentes por melhores condições de trabalho e, geralmente, ouvem como respostas de muitos governantes que uma comissão estará estudando uma proposta de aumento, mas que no momento o orçamento não suportará uma carga maior devido à baixa arrecadação.

A tudo isso soma-se o fato que diversos professores necessitarem fazer o papel de pai e mãe de muitos alunos que vivem em famílias desestruturadas econômica e socialmente. Em muitas situações, é na escola que os jovens encontram um espaço para conversar com alguém e ouvir palavras de respeito e de incentivo diante de um cenário pouco promissor em relação ao seu futuro enquanto cidadão.

Professores têm que preparar aulas com todo cuidado, precisam rever sempre o conteúdo a ser ministrado, preparar planos mensais e semestrais de acordo com as competências da nova BNCC e ainda estar preparado para enfrentar turmas complexas, principalmente no quesito comportamento. A violência nas escolas é algo que ainda faz parte do dia a dia.

Diante deste cenário, o que se poderia esperar de um docente quando tem que resolver problemas que deveriam ser tratados no ambiente famíliar em vez da escola? Quando precisam instruir um aluno e fazer o papel de pai e/ou mãe como se fosse para o seu próprio filho? Quando precisam ensinar o respeito e boas maneiras para jovens que nunca tiveram ou receberam estas orientações em casa? 

Muitos professores, ou quase todos, não se negam a fazer isso em determinadas situações, mas quando toda essa realidade passa a virar rotina em sua vida profissional e a sobrecarga aumenta a cada ano que passa só resta aos docentes em algum determinado momento abrir a garganta e gritar bem alto: 

- Chega. Tudo que quero é dar aula. Colocar em prática o que aprendi na faculdade. Ensinar, avaliar e contribuir par a aprendizagem de todos os alunos.

Neste sentido, só nos resta concordar com a frase: "professores ensinam, ou deveriam, e as famílias educam".

Porém a vida docente não é tão simples assim. Não basta eu dar um grito e dizer "basta" que as coisas se resolvem. Precisamos recorrer e colocar em prática todos os 4 ou 5 anos de estudos nas diferentes faculdades das diversas licenciaturas que preparam alunos para dominar a arte de ensinar. Então, colocando a emoção de lado, vamos observar a situação com outros olhos.

Se alguém concorda com a frase: professores ensinam e família educa, deveria se questionar: afinal de que educação estamos falando?. Seria uma educação ligada a valores morais? Bons comportamentos? Bons hábitos? Com certeza esses exemplos dizem respeito à educação familiar, isto não podemos negar, mas será que a educação se resume a isso? Será que aprender literatura, matemática, artes, história e filosofia também não faz parte da educação?

Se copreendermos que a educação deve ser responsável pela formação dos indíviduos de uma determinada sociedade em sua forma integral, ou seja, preparar o cidadão para que possa enfrentar os desafios para manter uma sociedade em funcionamento de acordo com seu valores morais, técnicos e científicos. Portanto, a educação não poderá ser vista apenas como aquela que se aprende em casa ligada aos bons costumes, mas a todo um conjunto que ajudará o indíviduo a integrar-se ao meio social como sujeito capaz de alterar a própria realidade sempre que estiver à frente de diferentes desafios.

Essa capacidade de alteração da própria realidade a partir da formação dispensada pela família e, principalmente, pela escola faz do indíviduo um ser consciente de suas responsabilidades sociais e políticas e isso se deve à sua formação educacional na qual devem contribuir a família e a escola através do trabalho de toda uma equipe (sim uma equipe) de profissionais onde os professores devem ser a principal peça do trabalho pedagógico.

Portanto, a resposta para a questão levantada no título desta postagem deve partir da compreensão e do significado de educação e, neste sentido, escola e família tem uma função cada uma em sua área, embora a pandemia da Covid 19 tenha embaralhado tudo. 

Professores devem ensinar conteúdos, mas que no momento desta ação estará fazendo um ato pedagógico, portanto estará educando também, juntamente com a família, educando o aluno. Se não for assim então  qual o sentido das faculdade que formam professores se chamar EDUCAÇÃO.